Rádio

domingo, 31 de julho de 2011

Artigo Pr. Samuel - 08


Bem-vindos a Belém

A minha mensagem hoje se resume num caloroso e abrangente convite para todos os que quiserem e se sentirem movidos para participarem das festividades do Centenário da Assembleia de Deus em Belém, a Igreja-mãe de todas as Assembleias de Deus no Brasil.
Bem-vindos a Belém, a cidade do Centenário!
Quem vos recebe é a Igreja-mãe das Assembleias de Deus no Brasil, a Igreja Centenária.
Quero lembrar aos convidados: a festa é de todos!
A festa é de todos os brasileiros, pois o Senhor Deus concedeu a esta grande nação um grande derramamento de poder do Seu Espírito Santo, e toda essa bênção começou através da Assembleia de Deus, reconhecidamente a maior igreja do País.
A festa é de todos os belenenses, pois Belém é a cidade do Centenário. Foi aqui que tudo começou, humildemente, com dois missionários e mais dezoito pessoas que acreditaram na “promessa do Pai”. Aqueles dias dos “humildes começos”, assim como toda a trajetória de lutas e glórias, podem ser celebrados agora com brados de júbilo e efusivas ações de graças pela geração do Centenário.
A festa é de todos os paraenses, pois “Pará” foi a palavra que Gunnar Vingren e Daniel Berg ouviram pela primeira vez na profecia que os trouxe a nossa terra.
A festa é de todos nós que carregamos o nome e a mesma identidade assembleiana. Nada nem ninguém pode nos dividir nesse momento único da nossa história. Se Daniel Berg e Gunnar Vingren estivessem vivos, certamente fariam coro com Jesus e pregariam a unidade da Igreja; eles diriam que gostariam de ver uma só Assembleia de Deus, unida pela comunhão do Espírito Santo, celebrando juntos com todas as suas diferenças, mas sempre dando toda a glória e honra ao Único e Soberano Senhor dos céus e da terra por todas as conquistas que culminaram com a nossa Geração do Centenário.
Teremos a singela alegria de receber todas as “filhas” assembleianas queridas, que certamente podem dizer como os pastores: “Vamos até Belém e vejamos os acontecimentos que o Senhor nos deu a conhecer”.
A festa é de todos os evangélicos, de todos os crentes em Jesus, pois todos somos irmãos em Cristo. À sombra do Calvário, todos somos iguais. E um dia estaremos todos juntos diante do trono de Deus e do Cordeiro que foi morto, mas ressuscitou, e vive para sempre.
A festa é também de todas as nossas autoridades, civis e militares e religiosas, pois o mesmo Deus que instituiu o princípio da autoridade, também concedeu a estas a graça de contarem com a Assembleia de Deus e inúmeras igrejas co-irmãs, as quais pregam a salvação em Cristo e se constituem no maior movimento de inclusão social e recuperação de pessoas e famílias em toda a história da humanidade.
A festa é de todos! Vinde, pois, a Belém e celebremos juntos o Centenário da Assembleia de Deus no Brasil. A festa é sua, a festa é minha, a festa é nossa!
Lembre-se disso: passados cem anos de Pentecostes no Brasil, aprouve a Deus nos conceder a honra de sermos a geração que vai celebrar o Centenário. Esta é uma inominável honra cuja preciosidade histórica será lembrada de muitas gerações. E nós queremos de todo o coração que todos os nossos convidados participem desse momento glorioso na presença do Senhor Deus.
É com intenso júbilo em nosso coração que convidamos você para participar da comemoração do Centenário da Assembleia de Deus no Brasil, que acontecerá de 16 a 18 de junho de 2011, em Belém do Pará, a cidade do Centenário!
A Assembleia de Deus em Belém é a Igreja do Centenário!
Nós somos a Geração do Centenário!
Sinta-se especialmente convidado para celebrar conosco.
Todos são bem-vindos a Belém!

Samuel Câmara - Pastor da Assembléia de Deus Belém / PA - Igreja Mãe
Confira os artigos do Pastor Samuel Câmara, todas as semanas no jornal "O Liberal" -http://www.oliberal.com.br/

Artigo Pr. Samuel - 07


Explode coração... é Centenário!

Geralmente eu sou mais racional que emotivo, um homem de poucas palavras e muito mais de ação. Eu considero que a minha fé é “pé no chão”, mas também “cabeça no céu”. E a razão de eu estar de certo modo me desnudando diante de meus leitores tem a ver com o momento especial que estou vivendo, ou seja, é fruto da apoteótica e emblemática celebração do Centenário da Assembleia de Deus em Belém e no Brasil.

Diante desses momentos extraordinários que Deus nos proporcionou, precisamos reconhecer que necessitamos da graça de Deus não somente para enfrentarmos grande lutas, mas também para celebrarmos grande conquistas. É isto que justifica o título de minha mensagem hoje.

Portanto, se Deus não segurasse o meu coração com a Sua bendita graça, este teria sucumbido e se transformado em mil pedaços, primeiramente diante das grandes lutas que enfrentamos ao longo de todo esse ano de preparação do nosso Centenário. Depois, nesses dias de festa, quando a emoção da presença bendita do Espírito Santo confirmando todo o esforço da nossa fé suplanta toda a dor e a angústia das grandes lutas.

A explosão que Deus me deu a graça de experimentar no meu oração é de glória e contentamento, é de extrema alegria e gratidão... são explosões múltiplas, mas todas benéficas, abençoadas e abençoadoras.

Quando um jornalista me perguntou sobre a impressão que tive do primeiro dia da festa do Centenário, eu respondi que a impressão firmada no meu espírito é que o povo assembleiano tem se mostrado grande diante dos imensos desafios, pois é um povo forte e unido, gente que está com muita sede de oportunidade de comunhão, independente da organização e da tendência ministerial. A Assembleia de Deus é uma igreja unida, fervorosa e abençoada.

Inaugurar em um mesmo dia o Museus Histórico, a Avenida Centenário e o Centro de Convenções foi uma emoção sem tamanho, difícil de descrever.

Ora, tudo quanto nós não conseguimos em 100 anos, estava bem ali na nossa frente, era nosso, conquistas da nossa geração. Eu desatei a chorar em todos os três momentos, com o Pr. Firmino Gouveia ao meu lado, que também não parava de chorar.

O Museu Histórico, aquilo para mim foi uma realização extraordinária. As pessoas precisam ir lá para ver o que eu vi e sentir o que eu senti. A multidão presente no trajeto da Avenida Centenário, o ânimo da Igreja por onde passávamos, aplaudindo e louvando ao Senhor Jesus, como era comovente! Ao chegar ao Centro de Convenções e contemplar aquele mar de gente, eu disse: “Meu Deus, eu posso dizer como Simeão: Oh, Deus, o Senhor já poderia me levar, pois os meus olhos viram o Teu milagre em um ano nesta festa do Centenário”.

É um milagre, mas é também a prova de que com a união, o amor, a fé e o sacrifício, nada pode nos superar.

Uma outra impressão que destaco aqui é a do acolhimento de toda a sociedade, pois Deus nos deu graça diante de todo o povo da querida cidade de Belém do Pará. Há decerto um novo momento de relacionamento com toda a sociedade. A sociedade nos acolhe e, em contrapartida, nós afirmamos nossa utilidade em serviço abnegado à sociedade, de modo que esta se orgulhe em saber que a Assembleia de Deus é um patrimônio histórico e cultural de nossa cidade, abençoando também o Brasil e o mundo.

Louvo a Deus pela presença das nossas autoridades públicas hipotecando o seu apoio a esta causa. Muito nos alegrou também a presença maciça da imprensa e a cobertura fantástica que tem feito da nossa celebração, inclusive com matéria jornalística em telejornal de abrangência nacional.

Foi uma enorme surpresa para mim a presença do imenso público que compareceu às várias programações, especialmente em dias normais de trabalho. O Mangueirão ficou completamente lotado (e uma multidão sem poder entrar), como talvez em nenhuma outra ocasião, inclusive com ocupação de seu gramado.

Este momento representa a caminhada de uma nova geração, que tem culminado com uma renovação interna da Assembleia de Deus. Isto é o sopro de Deus, é fruto da renovação do Espírito.

A Geração do Centenário tem a responsabilidade de ser a mais simples e a mais prática possível, tanto no que diz como no seu exemplo de vida. Por isso, a síntese de sua mensagem é esta: Jesus Cristo é o mesmo ontem, e hoje, e o será para sempre!Sinto uma grande emoção e louvo ao meu Deus pelo privilégio de viver este momento. Hoje a Assembleia de Deus em Belém completa 100 anos de vitórias! Explode coração... é Centenário!Samuel Câmara Pastor da Assembléia de Deus Belém / PA - Igreja MãeConfira os artigos do Pastor Samuel Câmara, todas as semanas no jornal "O Liberal" -http://www.oliberal.com.br/

Artigo Pr. Samuel - 06


Glória a Deus pelo Centenário!

Glória a Deus pelo Centenário! Celebramos o fato de, há 100 anos, no Brasil, exatamente em Belém do Pará, ter começado o maior movimento pentecostal da atualidade, um dos mais importantes movimentos da história da fé cristã. Glória a Deus! Este movimento espiritual chamado “Assembleia de Deus” se iniciou no meio dos crentes em Jesus, os quais começaram a indagar sobre a atualidade do poder do Espírito Santo e acerca dos dons espirituais citados nas Escrituras.

E quando Deus respondeu a essas indagações sinceras de corações sedentos com o derramamento do poder do Espírito Santo, o fez do mesmo modo que no princípio da Igreja de Jesus Cristo, em Jerusalém. Foi assim que se formou a Assembleia de Deus, em Belém do Pará.

Glória a Deus, pois são passados 100 anos, todos repletos de bênçãos que glorificam o nome do Senhor! A glória e a honra pertencem unicamente a Deus!

O fato de a pequena Belém, do início do Século XX, ter sido o alvo da escolha divina para iniciar esse grande movimento pentecostal é algo surpreendente. Belém era uma cidade de economia decadente, com o fim do ciclo da borracha. Além disso, por não dispor de saneamento adequado, sua população sofria terrivelmente por causa de muitas e graves doenças tropicais.

Deus começou essa obra com dois estrangeiros, Daniel Berg e Gunnar Vingren, que vieram sem nenhum apoio financeiro ou suporte missionário; além disso, nem mesmo sabiam falar a nossa língua. O pequeno rebanho que conseguiram reunir contava menos de vinte crentes, sem personalidades de destaque em qualquer área.

Glória a Deus! Pois foi exatamente nesta cidade e com esse pequeno grupo que o Senhor começou esta Igreja vitoriosa. Hoje, a Assembleia de Deus está presente em cada recanto deste imenso País e já alcançou quase o mundo todo!
Glória a Deus! Pois celebramos com graça e com glória o Centenário da Assembleia de Deus.

Glória a Deus por todos os desafios vencidos! Inauguramos o Centro de Convenções no prazo, quando ninguém achava que seria possível. Inauguramos também a Avenida Centenário e o Museu Nacional. Estamos em vias de fechar o desafio de decisões, batismos em água e no Espírito Santo. Alcançamos a marca dos cem novos templos na cidade de Belém. Passamos dos 700 mil quilos de alimentos distribuídos aos famintos. Glória a Deus!

A celebração do Centenário da Assembleia de Deus, de fato, foi uma bênção completa. O casamento comunitário de 1018 casais encantou a cidade. As Conferências Pentecostais no Centro de Convenção foram muito abençoadas e edificantes. As Celebrações no Estádio Mangueirão foram uma prova da bondade do Senhor, pois ali só choveu a graça de Deus, além de ficar superlotado todos os três dias.

Glória a Deus! Estou como quem sonha, a minha boca se encheu de riso, meu coração está jubiloso, tudo por causa da bondade do Senhor, por nos ter surpreendido.

Quem se esforçou e pode dizer: ‘Tudo o que me veio a mão para fazer, eu fiz’, também deve reconhecer que, não fosse o Senhor, que esteve ao nosso lado, nada teria funcionado tão bem. Muito obrigado, Senhor!

A festa não girou em torno de grandes personalidades, nem de coisas mirabolantes; tão somente Deus resolveu honrar a Igreja, e esta, por sua vez, lhe retorna a glória devia ao Seu nome. Todos nós reconhecemos: foi o Senhor quem fez isto, e é maravilhoso aos nossos olhos!

A minha gratidão também se estende a todos os que, direta ou indiretamente, contribuíram para o sucesso do Centenário. Tenho imensa gratidão a essa Geração do Centenário, pela fé, pela união, pelo amor e pelo esforço dedicado ao nosso Centenário.

Muito obrigado a todos: às nossas autoridades, pelo apoio, consideração e participação; a toda a Imprensa, que deu grande destaque à nossa festividade; às caravanas de todo o Brasil e do mundo; aos preletores e cantores, pela brilhante participação; aos filhos dos pioneiros, por terem vindo celebrar conosco; aos presidentes de Convenções e representantes de Igrejas do Brasil e do mundo.

Não daria para citar todos os nomes, obviamente para não cometermos injustiças, ou por falta de espaço ou por esquecimento involuntário. Decerto o Senhor Jesus recompensará a todos.

Acima de tudo, sou imensamente grato a Deus, a quem pertence a honra, a glória e o louvor para sempre! Amém!


Samuel Câmara

Pastor da Assembléia de Deus Belém / PA - Igreja Mãe
Confira os artigos do Pastor Samuel Câmara, todas as semanas no jornal "O Liberal" -http://www.oliberal.com.br

Artigo Pr. Samuel - 05


O Centenário continua...

Quero externar mais uma vez a minha terna gratidão a todos pelos imensos esforços desprendidos até agora por essa Geração do Centenário, em abençoar os nossos empreendimentos em prol do Centenário da nossa querida Assembleia de Deus. Presto aqui a minha homenagem a você que celebrou e batalhou por um Centenário digno do nome do Senhor Jesus, desta querida Igreja-mãe e da cidade de Belém do Pará.

Quero lembrá-los que a festa continua. Mantenhamos o ânimo, pois a celebração do Centenário continuará até o final deste ano, através de abençoadas festividades mensais que possibilitem a quem não pôde vir nos três dias principais possa ainda vir a Belém e ser partícipe da plenitude da bênção de Cristo dispensada por Deus ao Seu povo nestas festividades.

Além disso, permitirá também a quem nada fez, ou quem ainda quer fazer mais, deixar a bênção fluir e fazer tudo o que lhe compete em prol do Centenário. Eu e minha família, assim como aqueles que estão comigo nessa causa, vamos continuar plantando a nossa semente financeira para abençoar esta grande obra, afirmando a nossa fé na infalível Palavra de Deus: “Quem semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia com fartura, com abundância também ceifará” (2 Co 9.6).

Lembro-me de um fato interessante acontecido uma semana antes da inauguração do Centro de Convenções, quando altas autoridades públicas estavam visitando as obras. Atônita e mostrando genuína admiração, uma delas indagou como conseguíamos fazer algo tão grande em tão pouco tempo e com tão poucos recursos financeiros. De repente, sem que ninguém tivesse programado nada, uma irmã bem velhinha, um pouco trêmula e quase não podendo andar, aproximou-se resolutamente e estendeu a mão com um envelope no qual colocara sua oferta. Agradeci emocionado, dei-lhe um abraço e a abençoei.

Naquele momento, outros irmãos também trouxeram seus envelopes com suas ofertas, outros doaram objetos e trouxeram oferta específica para pagar diárias de trabalhadores. Enfim, tudo aconteceu tão rápido, e eu fiquei emocionado e quase sem palavras. Nem mesmo precisei responder às autoridades. A resposta estava ali, bem na nossa frente, representada pela ação de Deus em mover o coração do Seu povo para ofertar generosamente na Sua obra.

Precisamos, pois, manter o coração focado na graça de continuarmos sendo generosos, ampliando a mobilização de doações financeiras, pois até agosto temos de pagar R$ 4,5 milhões referentes a parcelas dos investimentos feitos na grande celebração do Centenário (o que inclui: adequações no Museu, adornamento da Avenida Centenário, construção do Centro de Convenções, além de toda a infraestrutura da festa).

Gostaria de pedir a você que continuasse orando em prol da conclusão de todo esse trabalho, aproveitando as oportunidades e fazendo a parte que pode fazer. Eu estou bem certo que aqueles que jamais fecharam as suas mãos ao longo desse percurso vitorioso mantê-las-ão generosamente abertas para que a Celebração do Centenário não nos deixe nenhuma sequela financeira.

Tenho ouvido de muitas pessoas o quanto foram abençoadas por terem ajudado na operacionalização do Centenário, como ofertantes, empreendedores, ajudantes, enfim, pessoas que tudo fizeram e não mediram esforços para construírem com oração, ofertas, suor e lágrimas o sonho de termos uma celebração do Centenário digna do nome excelso do nosso bom Deus e Senhor Jesus Cristo.

Tenho ouvido também de muitos que vieram a Belém celebrar conosco o quanto foi importante e abençoador para eles participarem conosco nesses dias de festa. Alguns afirmam que se sentiriam imensamente culpados e não se perdoariam se não tivessem vindo, pois aqui provaram da abundante graça de Deus e foram imensamente abençoados. Uns tantos reafirmaram seu compromisso de continuar orando e ofertando, outros tantos passaram a tomar como seu esse mesmo compromisso.

Sendo assim, oro a Deus para que continue a mover o coração do Seu povo, tanto para orar como para contribuir financeiramente, tanto para arregaçar as mangas como para apoiar aqueles que assim o fazem. Desse modo, unidos no Senhor e na força do Seu poder, mantenhamos a firme confiança Naquele que prometeu, pois é Deus Fiel e Verdadeiro, galardoador dos que o buscam.

Mantenhamos o coração firme nas promessas de Deus, marchemos juntos e cantemos: Assembleia de Deus chega ao Centenário, todo o povo de Deus avante vai! Louvemos a Deus e continuemos marchando com gratidão em nossos corações, pois a bênção de celebração do Centenário continua.


Samuel Câmara

Pastor da Assembléia de Deus Belém / PA - Igreja Mãe
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Artigo Pr. Samuel - 04


Sob o signo de tentações e provações

Tentações e provações são inerentes à vida humana. Isso levou Roy Baumeister, professor de uma universidade americana, a elaborar uma pesquisa sobre o tema junto a seus alunos. Eles deveriam ficar em completo jejum durante um certo período de tempo e, depois, deixados isolados com um prato de rabanetes e outro de biscoitos. Era permitido aos alunos comerem os rabanetes, mas terminantemente proibido provarem dos biscoitos.

Com grande esforço, todos os alunos conseguiram resistir à tentação de comerem os biscoitos. Como resultado desse teste, logo depois, os alunos não conseguiram desempenhar tarefas intelectuais; estavam psicologicamente exaustos. Concluiu-se que o autocontrole demanda caráter, decisão, mas dispende uma grande carga de energia. A mente precisa ser “recarregada” antes de poder ser usada novamente.

Algo que precisa ser entendido a respeito de tentação e provação é que estas são dois lados de uma mesma moeda. No grego, uma só palavra expressa ambos os conceitos. Mas há uma diferença fundamental entre ser tentado e ser provado. Alexander Maclaren esclareceu essa diferença num sermão intitulado “Fé testada e coroada”. Para ele, a tentação dá a ideia de se apelar para a pior parte de uma pessoa, com o desejo de que se submeta e faça o que é errado. A provação, por sua vez, significa um apelo à melhor parte de uma pessoa, com o desejo de que ela resista.

Maclaren continua: “A tentação diz: Faça isso porque é agradável; não seja impedido pelo fato de ser errado. A provação diz: Faça isso porque é nobre e certo; não seja impedido pelo fato de ser doloroso”.

Assim, em geral, uma pessoa sofre tentação quando esta busca em si uma disposição de ânimo para praticar coisas erradas ou censuráveis. Alguém é provado quando enfrenta uma situação aflitiva ou penosa, que geralmente o atormenta, aflige e martiriza.

Podemos encontrar esses dois exemplos em grandes homens.
O rei Davi foi tentado quando viu Bete-Seba tomando banho num riacho. Sucumbiu. Dele saiu o pior, providenciou para que o marido dela fosse morto, para encobrir o próprio pecado. Quanto sofrimento adveio disso! Anos antes, quando jovem, foi provado ao ter de enfrentar o gigante Golias. O exército de Israel fora intimidado por quarenta dias, ninguém se habilitara à luta. Davi ousou confiar apenas no Senhor. Venceu! Ali nascera um destemido e valoroso guerreiro, que veio a ser rei.

O patriarca Abraão, no Egito, foi tentado a mentir que sua bela esposa Sara era sua irmã, pois temia ser morto. Dele brotara o pior. E quantos problemas enfrentou por isso! Anos depois, enfrentou uma dura provação. Deus lhe pedira que oferecesse o seu filho Isaque em holocausto. Ele resolveu obedecer. Deus havia dito que a sua descendência através de Isaque seria numerosa. Ele cria que Deus poderia ressuscitar o seu filho de entre os mortos. Isso o habilitou a se tornar o “pai de todos os que creem”.

Vejamos o exemplo de Jesus. Quando Ele foi tentado por Satanás quarenta dias no deserto, resistiu e venceu. Com isso, se habilitou a nos ajudar, como está escrito: “Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado”.

No jardim do Getsêmani, Jesus foi provado. Ele estava para se oferecer como sacrifício para a nossa salvação, receber sobre si todos os pecados da humanidade, se tornar Ele próprio pecado; isso quebraria a comunhão eterna com o Pai e Ele teria que provar a morte. Em agonia, pediu ao Pai que fosse passado de si esse cálice; todavia, resolveu obedecer a vontade de Deus: “Faça-se a tua vontade”. O mundo nunca mais foi o mesmo depois dessa decisão.

Assim é a vida, com suas tentações e provações, que acometem a todos indistintamente. Mas principalmente os líderes devem tomar cuidado com as respostas que dão às tentações e provações da vida, pois tudo o que eles fizerem repercutirá nas gerações seguintes.

Há aqueles que começam bem, mas não sabem como terminar. Iniciam a vida sofrendo muitas provações, são tentados, mas não se corrompem, não fazem alianças espúrias, vivem com fidelidade, mesmo expostos a um ambiente eivado de corrupção. Mas depois, tentados pelo poder, resolvem ceder, deixando o rastro de um caminho tortuoso que nunca será esquecido.

Conclamo a todos a serem fiéis a Deus; em vez de confiarem no homem que falha, confiem no Cristo que venceu todas as tentações e provações. Só Ele poderá nos ajudar a fazer o mesmo.

Samuel Câmara

Pastor da Assembléia de Deus Belém / PA - Igreja Mãe
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Artigo Pr. Samuel - 03


Asas da Liberdade, para quê?

Uma canção bem conhecida clama para que a liberdade abra as suas asas sobre nós. Muitos poetas a louvaram. Incontáveis livros lhe foram dedicados. Mas para que queremos a liberdade?

Suponha que um grande navio esteja naufragando e só o capitão saiba disso. Assim, ele anuncia aos passageiros da segunda e terceira classes que está liberado o acesso para a primeira classe. Todos poderão beber todo o uísque, vodka ou vinho que desejarem – grátis! Quem quiser, pode jogar futebol dentro da sala de jantar. Se quebrarem qualquer coisa, não tem problema. O cassino está liberado, não é preciso pagar pelas fichas. A partir de agora, anuncia o capitão, tudo está liberado. Os passageiros ficam felizes, achando que agora a liberdade no navio é completa. Pensam até que o capitão é “o cara”. O que os passageiros não desconfiam, porém, é que logo estarão todos mortos.

Mas suponha a situação inversa: todos sabem que o navio vai afundar. Embora o capitão liberasse tudo, os passageiros, prestes a morrer, poderiam indagar: “Liberdade, para que te quero?”
O mundo é assim como esse grande navio. Muitas pessoas acreditam que são livres porque estão se divertindo e fazendo o que querem. Não se importam muito com Deus ou mesmo se terão que prestar contas algum dia de seus atos. Principalmente em suas festinhas, o “capitão” as manda liberar geral – sexo, drogas, álcool, tudo o que desejarem. Liberdade!
A conta sempre vem depois. É sugestivo que no dia seguinte ao exercício dessa “liberdade” só sobrem a vergonha e as cinzas dos projetos de vida que se destruíram. E cinza é o nome dado ao que resta de uma combustão, fogo ou incêndio, com o seu efeito devastador de reduzir tudo a nada.

Muitos expressam sua liberdade em noitadas e festanças regadas a bebidas, sexo e drogas, como uma forma “saudável” de extravasamento das emoções e sublimações de problemas de toda ordem. Ao acordarem em meio às ressacas morais, sem saber como reconstruir o que foi devastado pelos exageros (financeiro, moral, físico e espiritual) a que se submeteram nas horas de exercício da “liberdade”, é que se darão conta do quanto lhes custou fazer o que quiseram.

Sabemos que o bem mais importante da vida é a liberdade. A gaiola pode até ser de ouro, mas pergunte ao pássaro onde preferiria estar. Alguém pode ter dinheiro, saúde e bens, mas não ser livre para usá-los adequadamente os torna tão inúteis como a vida de um prisioneiro.
Mas liberdade para quê? Para destruir a própria vida? Para destruir a família? Para implodir o próprio futuro?

Pergunte às adolescentes que geraram filhos indesejados e deixaram os estudos; aos que se tornaram escravos dos vícios; às que praticaram abortos; aos filhos indesejados abandonados em creches ou nos juizados de menores; aos que foram infectados por doenças letais e sexualmente transmissíveis, que em breve ceifarão suas vidas preciosas; aos que contraíram dívidas que perturbaram sua paz e destruíram suas famílias – pergunte o que ganharam com sua “liberdade”.

Afinal de contas, não é sempre a mesma coisa diante de nossos olhos? O mal uso da liberdade?

No dia em que os pais e as autoridades fizerem as contas do prejuízo social e financeiro que essa tão propalada “liberdade” de cada um fazer o que bem entende oferece, então talvez algo precise ser dito, antes que as gerações futuras nos julguem por não termos ensinado aos nossos filhos como ser livres.

Liberdade é um conceito paradoxal. Quem acha que é livre para fazer tudo o que quer, pode apenas estar sendo prisioneiro dessas mesmas coisas, que se transformam em vício e compulsão. Jesus disse: “Aquele que comete pecado é escravo do pecado”.

A Bíblia orienta: “Há caminho que ao homem parece direito, mas ao final, dá em caminhos de morte”. Mas Deus quer o melhor para nós: “Os meus pensamentos a vosso respeito, diz o Senhor, são pensamentos de paz e não de mal, para vos dá o fim que desejais”.

Com efeito, Cristo oferece a verdadeira liberdade, para que você seja livre e não precise jamais de subterfúgios para ser feliz — nem drogas, nem sexo casual, nem violências, nem bebidas, tudo sem vícios e sem excessos. Você será liberto dos pecados e terá o coração transformado. Sua nova vida agora será vivida em Cristo, por Cristo e para Cristo, em obediência e gratidão ao Deus que “nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor”.

Asas da liberdade, para quê? Para ser livre em Cristo!

Samuel Câmara

Pastor da Assembléia de Deus Belém / PA - Igreja Mãe
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Artigo Pr. Samuel - 02

Em busca da fonte da juventude

Muitas obras foram escritas sobre uma possível fonte da juventude. Os sábios do passado gastaram longas horas em esquadrinhar esse mistério. Mas existe realmente uma fonte da juventude? Ou isso é assunto de alquimistas, em sua busca inglória pela juventude eterna? Ou permanecer jovem é uma arte, cujo “segredo” só poucos descobrem?

Um ditado afirma que só não fica velho quem morre cedo. Há pessoas que, mesmo jovens na idade, parecem velhos na alma. Já não lutam por nada, não buscam conquistas. Ademais, sempre jogam um “balde de água fria” nas nossas melhores aspirações.

Se permanecer jovem é uma arte, ela se expressa na atitude de a pessoa continuar jovem interiormente, na mente, no espírito, em constante desafio às rugas e aos cabelos brancos por fora.

Um número crescente de pessoas, principalmente mulheres, recorre a cirurgias estéticas, com temor da velhice que se prenuncia. Nada contra tentar melhorar o que pode ser melhorado. Mas o nosso corpo, sob o efeito da lei da gravidade, indubitavelmente envelhece. Mesmo que mintamos a idade, o nosso corpo, esse “envelope” que guarda o verdadeiro ser, fala mais alto.

Com efeito, precisamos permanecer jovens a despeito da passagem do tempo. Isso levou Moisés, o grande legislador, a orar: “Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio”.

Quando o famoso inventor Graham Bell tinha 75 anos, alguém íntimo seu disse: “O mais notável a respeito do Dr. Bell é que ele é mais moço do que outros com a metade de sua idade. Parece que descobriu uma fonte da juventude que o conserva perenemente alerta e vigoroso”.

O Jesus que vemos retratado nos evangelhos – diferentemente do pintado por artistas de todas as épocas, como um personagem apático, reticente, soturno, fraco, magro e impotente – era não somente forte e vigoroso, mas também cheio de vida interior, pleno de alegria, enfim, era jovem na acepção ampla do termo.

Como, pois, permanecer jovem? Qual o “segredo” dessa fonte da juventude? Se alguns conseguiram, como não conseguiríamos também?

Se há uma receita para permanecer jovem, creio que esta consiste em três pontos essenciais:

Primeiro, é preciso conservar jovem o coração. Manter o espírito sempre jovem tanto faz bem aos outros como nos traz grandes benefícios. A Bíblia afirma: “O coração alegre aformoseia o rosto”, ou seja, nos faz parecer mais bonitos. Isso começa quando mantemos uma atitude alegre.

Poucas coisas são tão desagradáveis quanto ficar perto de alguém mal humorado. Devemos ter em mente este provérbio: “O coração alegre é bom remédio, mas o espírito abatido faz secar os ossos”. Quando mantemos uma atitude alegre, os problemas se tornam apenas uma oportunidade de milagres e vitórias, não prenúncios de derrota, e a vida fica mais doce e frutífera.

Segundo, é necessário apegar-se aos sonhos. Você jamais poderá ir além de seus sonhos. Mas não irá a lugar algum sem eles. Alguém disse: “Pouco resta a fazer além de enterrar um homem quando o último de seus sonhos está morto”. Quem deixa de sonhar deixa de viver.

Para alimentar os seus sonhos, procure tirar inspiração dos bons exemplos, principalmente nos jovens de espírito que continuam criativamente ativos até ao fim da vida. Isso pode inspirar e mudar a nossa vida. Goethe completou sua maior obra, Fausto, aos 82 anos. Ticiano pintou suas obras-primas aos 98. Toscanini regeu até aos 87. Aos 81, Benjamin Franklin ajudou a elaborar a Constituição dos Estados Unidos. Firmino Gouveia continua produtivo aos 86.

Ter sonhos o fará crescer continuamente. Decerto, não ficamos velhos, envelhecemos quando deixamos de sonhar. Force a sua mente a sair da rotina. Leia bons livros, medite nos princípios eternos da Palavra de Deus, ore, procure ver novas possibilidades, assuma novos desafios. Como diz um provérbio: “Os caminhos batidos são para os homens vencidos”.

Terceiro, é preciso aprender a esperar no Senhor. João Batista disse: “O homem não pode receber coisa alguma se do céu não lhe for dada”. Assim, Deus nos oferece o melhor: “Eu vim para que que tenham vida e a tenham em abundância”. Deus não é um estraga prazeres, antes quer ser o parceiro de nossa jornada. Se Ele for a Fonte renovadora do nosso vigor, cumprir-se-á em nós o que está escrito: “Os que esperam no Senhor renovam as suas forças, sobem com asas como águias, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam”.

Não existe uma fonte da juventude mágica. Mas permanecer jovem não somente é possível, é uma arte que precisa ser vivida, mas sempre com a bênção de Deus.

Samuel Câmara

Pastor da Assembléia de Deus Belém / PA - Igreja Mãe
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Artigo Pr. Samuel - 01

Que tipo de Cristão é você?
Certa mulher, membro antiga de uma conhecida igreja, foi entrevistada: “Diga-me, em que você crê?” Ela respondeu: “Eu creio no que a minha igreja crê”. Replicaram: “Mas em que sua igreja crê?”. Ela emendou: “Minha igreja crê no que eu acredito”. O jornalista então perguntou: “Já que você crê no que a sua igreja acredita, e sua igreja crê no que você acredita, em que você e sua igreja creem?” Ela respondeu, rapidamente: “Nós cremos na mesma coisa”.

Esta é uma ilustração de uma realidade cada vez mais comum: as igrejas estão cheias de pessoas cuja fé é vaga e estéril. São os ditos “cristãos nominais”, que normalmente frequentam os cultos, cantam, contribuem, têm um verniz evangélico no comportamento, mas param por aí. Alguns desses praticam uma religião “toma-lá-dá-cá”, estão sempre atrás de bênçãos, mas não parecem interessados em manter um real relacionamento com Deus.

Na esteira desse comportamento cada vez mais frequente prospera o argumento de que “todos somos filhos de Deus”, a identificar de alguma forma que fazemos parte de um propósito superior.

As ciências sociais têm dado valiosas contribuições a respeito do comportamento humano, mas é inegável que, a despeito disso, deixam de explicar adequadamente o propósito do ser humano nesta vida. Deixam de explicar por que o vazio interior (ou necessidade de sentido de vida) desencadeia a busca pelo divino.

O conceito bíblico é que Deus criou os seres humanos para que cumpram o Seu propósito e que, sem essa clara percepção, nada na vida fará de fato sentido completo. Com efeito, nesse aspecto, todos somos filhos de Deus, por “direito de criação”.

O propósito divino é que amemos e sejamos amados por Deus; que o glorifiquemos e desfrutemos de íntima comunhão com Ele e com a Sua Criação. Como criaturas de Deus, Ele mesmo nos dotou de um apetite espiritual que nos faz sentir necessidade de sua presença. Isso levou Blaise Pascal a afirmar: “Toda pessoa tem no coração um vazio do tamanho de Deus”. Isso também ajuda a explicar a fome pelo divino que cada pessoa demonstra, principalmente ao engendrar os seus próprios meios de chegar a Deus, criando religiões, formando divindades, cultuando ídolos etc.

Quando Deus nos criou, fez-nos à Sua imagem e semelhança. Isso diz respeito aos elementos da personalidade e individualidade, liberdade de escolha, responsabilidade moral, habilidade criativa, capacidade de amar e ser amado, possibilidade de desenvolver o potencial como pessoa etc. Isso tudo refletia a essência da natureza divina em nós.

A partir desse ponto de sermos “semelhantes” a Deus, é que se deu a ruptura. O pecado danificou a nossa natureza quando este potencial de sermos “quase” como Deus foi explorado de modo abusivo e fora do Seu propósito.

Para corrigir esse “desvio de rota” existencial é que Jesus veio ao mundo, tomou sobre Si os nossos pecados, morreu na cruz, ressuscitou ao terceiro dia, foi elevado aos céus, estando agora assentado à direita de Deus Pai, onde intercede por nós. “Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (1 Tm 2.5).

Ser filho de Deus não é um privilégio para poucos, mas para todos os que desejam e buscam sinceramente o perdão e a salvação de Deus pelos méritos de Jesus. Não de religiões, não de santos, nem de ídolos; só de Jesus!

Essa filiação vem pelo novo nascimento, quando cremos na obra redentora de Jesus e entregamos a vida a Ele, que nos torna filhos de Deus, agora por “direito de redenção”. Como está escrito: “A todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome” (Jo 1.12).

Muitas igrejas se afastaram desse evangelho simples e poderoso – que até as crianças podem entender – e criaram fórmulas anti-bíblicas e marqueteiras que geram cristãos nominais, cuja fé é superficial e estéril.

Elas deviam estar pregando que Jesus é definitivamente “o novo e vivo caminho” para se chegar a Deus, sendo o único modo de restaurar a comunhão perdida por causa do pecado; que essa é a maneira de retornar ao propósito original de mantermos uma íntima comunhão com Deus e andarmos na sua presença, agora como filhos amados. É para isto que a igreja existe, para tornar o Senhor conhecido, não para ser fonte de lucro ou promoção pessoal de líderes personalistas.

Há esta diferença cabal entre cristãos nominais e os cristãos filhos de Deus: “Se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo; se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados” (Rm 8.17). Que tipo de Cristão é você?

Samuel Câmara

Pastor da Assembléia de Deus Belém / PA - Igreja Mãe
Confira os artigos do Pastor Samuel Câmara, todas as semanas no jornal "O Liberal" -http://www.oliberal.com.br

terça-feira, 28 de junho de 2011

Rede Boas Novas

Dezoito Anos de Boas Novas, a maior emissora de TV de conteúdo evangélico do Brasil.
Há dezoito anos, exatamente no dia 15 de março de 1993, em Manaus, por efeito de um grande milagre de Deus, surgiu a Boas Novas. Parece que foi ontem, mas ainda me lembro de como tudo começou. A visão de Deus para implantar uma rede de comunicação foi implantada no meu coração quando eu estava no alto Rio Juruá, para resolver um problema numa igreja no Município de Ipixuna (AM).

Um irmão em Cristo, bem pobre e de trajes humildes, se aproximou e surpreendeu-me com um pedido: “Pastor, gostaria de pedir que o senhor me desse uma filmadora”. Esse irmão, havendo sido, outrora, um perigoso bandido procurado pela polícia, se estabelecera nas brenhas do Amazonas, onde se convertera a Cristo. Depois de haver se casado, nasceu-lhe uma filhinha, e seu sonho era poder filmá-la crescendo, e depois, mandar a fita aos parentes no Nordeste, de onde viera e ninguém mais soubera notícias suas.

Naquele momento, o Senhor Jesus falou ao meu coração utilizando-se desse fato como uma poderosa metáfora: “Construa uma rede de televisão para mostrar a face da minha Igreja, e também proclamar a mensagem de boas novas para todo o Brasil”.

Quando chegou o tempo de Deus, imaginamos começar comprando uma emissora de rádio. Assim, procurarmos uma rádio que estivesse à venda, e fomos surpreendidos com a oportunidade de comprar a Rede Brasil Norte. O preço, contudo, era algo exorbitante para nossos padrões financeiros. Ademais, como não tínhamos fiadores, o contrato previa que se houvesse atraso em algum pagamento, a rede voltaria aos antigos donos, e perderíamos tudo.

Tudo o que tínhamos era a fé de que Deus estava nesse negócio. Parecia loucura, mas era um claro sinal de que tínhamos de confiar inteiramente no Deus infinito e eterno, que é dono do ouro e da prata, e não na limitação e finitude do homem.

Houve uma intensa mobilização da Igreja, irmãos vendiam suas propriedades, outros vendiam picolés, sanduíches e frutas, e todos traziam suas generosas ofertas. Desse modo, finalmente pagamos cada centavo sem atraso. Foi um milagre de Deus! Essa história está contada em detalhes no livro “Luz, Câmera... Milagre!”, de autoria do jornalista e pastor Benjamin Ângelo de Souza.

Eu sempre me pergunto: “Por que Deus escolheu começar essa obra no Norte, numa região onde nenhum empresário de bom senso começaria nada dessa magnitude? Por que não no Sudeste?”

A única resposta é essa: Isso é coisa de Deus! Na verdade, Deus atendeu ao desejo do coração de um homem. Sabe-se que Gunnar Vingren, pioneiro da Assembleia de Deus, em viagem de navio em seu retorno à Suécia, em agosto de 1932, quando se achava na costa do Pará, escreveu em seu diário esta singela oração: “Oh! Como eu desejaria que pudéssemos ser como fortes estações de rádio, para que o mundo pudesse ouvir a voz de Deus! Deus, dá-me esta graça.”

Gunnar Vingren reconhecia não somente a sua fraqueza, mas também que Deus poderia usar a abrangência da comunicação que o rádio possibilitaria. Era um dos poucos em sua época a pensar tão grande.

Ora, está escrito que “os caminhos de Deus são mais altos que os nossos caminhos e seus pensamentos são mais elevados que os nossos pensamentos”. O mesmo Deus que “escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes” inspirava um homem a orar por algo inatingível em sua época, para que as gerações futuras pudessem ver o fruto profético de sua oração.

O mesmo Deus que escolheu Belém do Pará para começar a Assembleia de Deus com apenas dois jovens missionários e a transformou na maior igreja evangélica do mundo, escolheu começar a Boas Novas em Manaus, e depois, em Belém.

Embora estejamos comemorando “Dezoito anos de Boas Novas”, não declaramos maioridade, pois ainda dependemos do suprimento diário de Deus, assim como o povo de Israel, no deserto, dependia do maná a cada manhã. Isto porque a Boas Novas é uma obra missionária. “Deus mandou a sua ordem, e grande é o exercito dos que anunciam as boas novas” (Sl 68.11). Um exército de mantenedores que ajudaram a tornar esse sonho realidade.

Tudo o que queremos é exaltar o santo nome de JESUS, colocando-o iluminado no topo de todas as torres de televisão, como testemunho de que “não haverá impossíveis em todas as suas promessas”.

Parabéns Boas Novas! A Deus a minha eterna gratidão!

Samuel Câmara - Pastor da Assembléia de Deus Belém / PA - Igreja Mãe
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quinta-feira, 23 de junho de 2011

Convenção Estadual da Assembleia de Deus no Amazonas - Ceadam


Convenção Estadual da Assembléia de Deus no Amazonas é uma sociedade civil sem fins lucrativos, com jurisdição em todo território amazonense, com sede e funcionamento nas dependências do complexo Canaã, situado na Avenida General Rodrigo Octávio Jordão Ramos, 1655, bairro Japiim, em Manaus - AM. Além das fixadas em seu Estatuto e em seu Regimento Interno, principalmente, congregar e congraçar bienalmente todos os obreiros da Igreja Evangélica Assembléia de Deus no Amazonas em todo Território amazonense, com o propósito de avaliar a eficácia do desenvolvimento evangelístico a cargo da igreja sede e das igrejas vinculadas, bem como traçar planos e diretrizes para exercícios futuros, tanto no plano espiritual quanto administrativo e social, decidindo ainda sobre questões de âmbito geral trazidas à decisão plenária da Convenção Estadual.

Todo o Estado do Amazonas é dividido em Municípios. Nestas áreas há um centro de apoio, onde o pastor deste centro é o coordenador dos seus vizinhos, responsável por acompanhar, apoiar e resolver os problemas que possam ocorrer. Atualmente há 62 Áreas de Coordenação.

Além de ser o Centro da Igreja no Amazonas a Convenção tem a finalidade de administrar a parte espiritual e material da Igreja no Estado; autorizando ou consagrando novos obreiros, orientado pastores, definindo metas, administrando a criação de novos campos, mantendo o registro e o cadastro do obreiro, do campo e de todos os acontecimentos que ocorrem nas Igrejas no Estado.

Hoje, em todo o Amazonas são mais de 890 pastores, 502 campos eclesiásticos e mais de 3000 templos, todos filiados e cadastrados na CEADAM. Quadrienalmente, esses pastores vêm à Manaus para a Convenção Geral, onde cada um representa sua Igreja e localidade, nenhum outro evento reúne representantes de 1000 (IBGE) localidades do Amazonas de uma só vez.

O Amazonas é imenso e o seu acesso é difícil e demorado; há lugares que é necessário quase um mês de viagem por barco para se chegar até lá, como o município de Ipixuna. Mas o Evangelho do Senhor Jesus tem chegado através de nossos pastores e tem alcançado vidas preciosas para Deus. Esta é a nossa parte, este é o nosso trabalho, e é por isso que oramos para que DEUS SALVE O AMAZONAS!

quarta-feira, 22 de junho de 2011

História da Assembléia de Deus no Amazonas

Impulsionado pelo Espírito Santo, chega a Manaus em 1917 o irmão Severino Moreno de Araújo vindo de Belém, PA, lançando a preciosa semente. Seu trabalho foi grandemente abençoado e rendeu muitos frutos. Porém, sentindo a necessidade de alguém para cuidar do pequeno rebanho, solicitou à igreja em Belém (PA) um pastor. Em resposta a esse pedido, no dia 18 de outubro de 1917, embarcava em Belém, com destino a Manaus, o casal de missionários suecos Samuel e Lina Nystron.

No dia 1º de janeiro de 1918, Samuel Nystron e Lina Nystron organizaram e fundaram a Igreja Evangélica Assembléia de Deus em Manaus, com sede à Rua Henrique Martins esquina da Rua 13 de Maio (atual Avenida Getúlio Vargas). O primeiro batismo nas águas foi efetuado pelo missionário Samuel Nystron, nas águas do igarapé Mestre Chico (terceira ponte), quando 15 pessoas desceram às águas.

Como a igreja não tinha um local próprio para se reunir, a irmã Augusta doou um terreno localizado na Praça Visconde do Rio Branco, 8-A (atual Rua Duque de Caxias, 340). Em 31 de dezembro de 1929, ainda faltando terminar a construção, o templo foi inaugurado. Assim surgiu o primeiro templo da Igreja Evangélica Assembléia de Deus em Manaus, que hospedou a primeira Convenção Regional realizada de 15 a 22 de novembro de 1936. A IEADAM é única no Amazonas filiada à Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil, CGADB. Hoje conta com cerca de 3 mil templos em todo o Estado e 650 pastores cadastrados na Convenção Estadual da Assembléia de Deus no Amazonas, CEADAM, e um número geral de membros da ordem de 300 mil.

Os pastores que serviram à Assembléia de Deus no Amazonas foram: 1. Samuel Nystron, 2. Manoel da Penha, 3. José Paulino E. de Moraes, 4. Manoel Higino de Souza, 5. Josino Galvão, 6. José Menezes, 7. José Floriano Cordeiro, 8. José Bezerra Cavalcante, 9. José Marcelino da Silva, 10. Deocleciano Cabralzinho de Assis, 11. Francisco P. do Nascimento, 12. João P. de Queiroz, 13. Alcebíades Pereira de Vasconcelos, 14. Otoniel Alves de Alencar, 15. José de Souza Reis e 16. Samuel Câmara.

O atual pastor é Jonatas Câmara, que lidera a igreja e a Convenção do Estado desde 9 de fevereiro de 1997.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Assembleianos já são mais de 15 milhões no Brasil



Assembleia de Deus é considerada atualmente a maior instituição evangélica no Brasil e segundo recentes pesquisas já chega a 20 milhões de membros. Durante a sessão solene nesta quarta-feira na Ale, o pastor Joel Holder, presidente da Assembleia de Deus de Porto Velho, destacou este momento histórico para o movimento pentecostal que no próximo dia 18 de junho completa cem anos.

Após a entrega das honrarias (título de cidadão honorário e da medalha do mérito legislativo), discursou o pastor Joel Holder. “O Senhor é bom e eterno é a sua misericórdia. Queremos ainda compartilhar o centenário da Assembleia de Deus no Brasil, este momento histórico de cem anos de fundação, deixando as marcas do evangelho em cada rincão desse Brasil”, disse ele.

De acordo com o pastor são vários eventos que acontecem nesta semana comemorativa, tendo como ponto altamente relevante o batismo de 713 novos crentes. Joel Holder destacou que este marco histórico pentecostal iniciou em 1922 em Porto Velho, quando ainda Rondônia era chamada de Território Federal do Guaporé e o trem da Estrada de Ferro Madeira Mamoré ainda funcionavam. Ele lembrou ainda dos missionários desbravadores que vieram fundar a igreja em Porto Velho, construída de madeira na Avenida General Osório.

Ao concluir, o pastor Joel Holder destacou algumas obras da Assembleia de Deus de Porto Velho, como a Rádio Boas Novas; o Centro de Recuperação Refúgio Canaã, que recupera dependentes químicos; o Instituto Evangélico de Educação Paul Aenis, formando alunos também dentro do princípio cristão; dentre outros.

Para o Pastor Nels dos Santos, a sessão solene acontece por inspiração e graça Divina. Emocionado, Nels agradeceu aos parlamentares pela homenagem e cobrou apoio da bancada estadual para combater os projetos de leis que afrontam a palavra e a vontade de Deus. Ivonete Santos Luchtenberg falou em nome das mulheres assembleniana. Disse ser oportunidade ímpar a homenagem destinada aos cem anos da Igreja Assembleia de Deus. Agradeceu a oportunidade pelo momento.

O pastor Nelson Luchtenberg, em fala emocionada, agradeceu a homenagem. Disse que “nossa Igreja não se move por sentimentos, mas sim por convicção”. Observou a celebração do momento pentecostal e citou que a entrega das comendas aconteceram por reconhecimento ao que fez e faz a Igreja Assembleia de Deus em cem anos de fundação no Brasil. Falou sobre a educação aos jovens e adultos.

Ricardo Sá Vieira, chefe da Casa Civil e representante do governador Confúcio Moura (PMDB), deixou palavra do Deus. Falou sobre o seu lado evangélico. “Precisamos de homens de caráter. Essa é a convicção, profissão de fé”. Disse ser justa a homenagem aos cem anos da Assembleia de Deus.

Heverton Aguiar, procurador-geral de justiça, agradeceu o convite “por ser a congregação mais conhecida no Brasil”. Em nome do Ministério Público, prestou a homenagem a Igreja Assembleia de Deus.

O deputado estadual Maurão de Carvalho (PP) agradeceu aos homenageados, homens e mulheres que, desde jovens se entregaram ao serviço árduo de salvar almas, recuperar drogados, consolar aflitos, através da bíblia Sagrada e do amor incondicional a Deus. Impulsionados unicamente pela crença e confiança e concluiu com seu testemunho próprio do encontro com Jesus.

A deputada estadual Ana da Oito também discursou fazendo um relato de seu ingresso no movimento evangélico, destacando que após um período afastado retornou a Igreja Evangélica Assembléia de Deus há quatro anos. Ela também enfatizou o trabalho árduo desenvolvido pelos pastores, salientando que estes são os grandes pescadores de almas para Jesus, quebrando as correntes do inimigo.

O deputado Luizinho Goebel (PV) disse que não tem bens materiais, mas bens de fé. Já o Jesualdo Pires falou que “quis Deus que eu não fosse o presidente desta Casa. Quis Deus que o deputado Valter Araújo presidisse essa sessão. Tenho certeza que a partir de agora a nossa Casa será diferente”. Disse que as homenagens aos pastores são justas e que os 100 anos é um marco da Igreja Assembleia de Deus no Brasil.

Na sequencia dos pronunciamentos de parlamentares, discursou o deputado Luiz Claudio (PTN), que destacou o grandioso trabalho desenvolvido pela igreja Evangélica Assembleia de Deus em todo o Brasil, e em especial no Estado de Rondônia. “Os assembleianos fazem o trabalho que mais agrada a Deus, por não ter medo de pregar o evangelho da salvação. Cem anos de existência, de muita luta confrontos, e desafios”, declarou. O deputado destacou se sentir muito feliz ao se comemorar estes cem anos de existência da Assembleia de Deus.

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Valter Araújo, ficou emocionado. Disse que, se fosse preciso, levaria a sessão por muito mais tempo. “Já passam de três horas de sessão e o plenário continua cheio”. Falou que Deus está presente na Casa de Leis e “aqui a tranquilidade reina”. Valter Araújo deu seu testemunho e foi enfático ao falar como passou à condição de evangélico. Emocionou-se e falou que a Assembleia Legislativa está sempre aberta aos religiosos.

O primeiro homem batizado com o Espírito Santo no Brasil

Todos os assembleianos sabem que a primeira pessoa a receber o batismo com o Espírito Santo no Brasil foi uma mulher, a irmã Celina Albuquerque, que fez parte do grupo pioneiro da então denominada Missão da Fé Apostólica. Mas são poucos os que sabem quem foi o primeiro homem a viver a experiência pentecostal em Belém do Pará.

Pois bem, depois da irmã Celina, ainda duas outras mulheres foram batizadas com o Espírito e falaram em línguas: Maria de Nazaré Cordeiro de Araújo e outra irmã que deduzo ser Isabel L. da Silva, também integrante do primeiro grupo pentecostal. A quarta pessoa foi um paraibano que na época vivia em Belém e era policial militar. Na capital paraense, ele se converteu a Cristo na Igreja Presbiteriana, mas abraçou a fé pentecostal quando a obra ainda estava no início. Seu nome era Manoel Francisco Dubu.

Em 1914, ele retornou à Paraíba e passou a compartilhar a doutrina do batismo pentecostal e dos dons espirituais com os crentes congregacionais e batistas. No ano de 1918, acompanhado por outro paraibano, chamado Galdino Cândido do Nascimento, ele realizou o primeiro culto pentecostal naquele estado.

Em 1935, Manoel Francisco Dubu foi ordenado presbítero pelo conhecido pastor Cícero Canuto de Lima e durante muitos anos exerceu esse ministério na Assembleia de Deus da cidade de Campina Grande, em seu estado natal.

História completa das Assembléia de Deus. Uma homenagem ao centenário desta denominação. (3ª Parte)

História completa das Assembléia de Deus. Uma homenagem ao centenário desta denominação.(3ª parte)

Continuidade da História completa das Assembléias de Deus e do movimento Pentecostal no Brasil.

- Por falar nas regiões Sul e Sudeste, é importante observar que Gunnar Vingren viajou, pela primeira vez, em 1920, chegando a então capital do Brasil em 7 de julho, dirigindo-se a casa de um irmão chamado Jaime Roberto, com o qual mantivera contato por carta e que dirigia um abrigo infantil no bairro de São Cristóvão, onde realizou um culto. Dali partiu para o Estado de Santa Catarina, tendo passado por Santos, no estado de São Paulo, onde não encontrou nenhum crente pentecostal.

- Em Santa Catarina, pregou em alguns lugares e encontrou um grupo de lituanos em Criciúma, onde fez parte de dois cultos, quando verificou que os crentes cantavam e dançavam por mais ou menos meia hora. Gunnar lhes disse que deveriam deixar aquela história de dança, pois isto não estava em o Novo Testamento, mas eles não aceitaram a repreensão, dizendo que eram dirigidos pelo Espírito Santo e um deles era considerado profeta e isto depois que haviam prometido que não mais fariam aquilo, motivo pelo qual foi Gunnar Vingren mandado embora no meio da reunião. Como, pois, há gente, atualmente, nas Assembleias de Deus que insistem em inventar um “ministério de dança” e tem coreografias em suas reuniões? Voltemos aos primórdios de nossa história!

- De volta para o Pará, Bingren visitou Itajaí/SC, São Paulo/SP, São Bernardo do Campo/SP e, de novo, o Rio de Janeiro. Em São Paulo, visitou uma igreja pentecostal italiana, dirigida por Luis Francescon (era a Congregação Cristã no Brasil), onde o irmão Luiz relatou quantos milagres o Senhor estava operando entre eles. Como se vê, não havia qualquer sectarismo entre estes dois líderes das maiores denominações pentecostais do país, algo que hoje é raríssimo de se ver. Voltemos aos primórdios do evangelho pentecostal!

- Em 1921 e 1922, Gunnar Vingren voltou para a Suécia, ante o agravamento de seu estado de saúde. Restabelecido, pregou em vários lugares em sua terra natal e, em 13 de agosto de 1922, foi para os Estados Unidos, depois que foi reafirmado pelo Senhor que deveria voltar para o Brasil.

Nos Estados Unidos, Vingren permaneceu até 20 de janeiro de 1923, chegando a Belém em 1º de fevereiro de 1923, mas, apesar de continuar trabalhando no Pará, sentiu de Deus que deveria iniciar o trabalho no Sudeste e, em 1924, Vingren transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde chegou em 3 de junho, sendo substituído na igreja em Belém pelo missionário Samuel Nyström.

- No Rio de Janeiro, como não havia mais interesse do irmão Jaime Roberto em receber Gunnar Vingren, este fez contato com uma família de nome Brito, que morava na rua Senador Alencar, 17, no bairro de São Cristóvão e ali se iniciou a evangelização pentecostal, tendo Jesus batizado duas irmãs com o Espírito Santo. Os cultos continuaram e Jesus continuou não só batizando com o Espírito Santo, mas dando dons espirituais aos irmãos, sem falar nos cânticos espirituais e nas curas divinas.

- Antes, em 1922, a obra de Deus também chegara ao estado do Espírito Santo, através dos irmãos Francisco Galdino Sobrinho e sua esposa que, deixando Belém, vieram morar em Vitória/ES.

Dois anos depois, Daniel Berg veio para o estado, a fim de iniciar um trabalho de evangelização, partindo logo após. Daniel, preocupado com este trabalho, pediu e foi mandado para Vitória o irmão José Vicente Ferreira em 1925, e, ante o crescimento do trabalho, este pediu a Daniel Berg que fosse mandado um pastor para o estado, o que ocorreu em 9 de maio de 1930, quando chegou o pastor João Pedro da Silva, organizando o trabalho.

- O trabalho em São Paulo também começou com migrantes. Um grupo de crentes pentecostais pernambucanos chegaram a São Paulo em 1923, dando início ao trabalho pentecostal, na cidade de Santos que, visitada três anos antes por Gunnar Vingren, não tinha, então, nenhum crente pentecostal.

Em 5 de maio de 1924, foi fundada a primeira igreja Assembleia de Deus em terras paulistas pelos irmãos Vicente Lameira e sua esposa Hermínia Lameira e Manoel Garcês e sua esposa, com trabalho de evangelização no bairro Ponta da Praia. Dias depois, ali compareceram os missionários Daniel Berg e Gunnar Vingren, que estruturaram o trabalho, que somente adquiriu personalidade jurídica, porém, em 1934, quando a igreja era pastoreada pelo irmão Clímaco Bueno Aza. Eis a origem da Assembleia de Deus – Ministério de Santos.

- Além deste trabalho em Santos/SP, Daniel Berg também subiu a Serra do Mar e, no Planalto de Piratininga, onde estava a capital do Estado, São Paulo, em 15 de novembro de 1927, realizou-se o primeiro culto numa casa alugada no bairro da Vila Carrão, na zona leste da cidade, culto do qual fizeram parte além de Daniel Berg e sua mulher, Sara, os missionários suecos Simon Lundgren e Linnea Lundgren, data que é considerada a fundação da igreja em São Paulo/SP.

- A estes irmãos se uniram outros que, assim, foram os primeiros da igreja em São Paulo. Acabaram alugando um salão no bairro do Tatuapé, na rua Vilela e, depois, se transferiram para a Rua Cruz Branca, no bairro do Brás, vindo, finalmente, a construir um templo no bairro do Belenzinho, na rua Alcântara Machado. Foi assim que surgiu a Assembleia de Deus – Ministério do Belém, que hoje é presidido pelo pastor José Wellington Bezerra da Costa, atual presidente da CGADB.

- Em 1930, o missionário Samuel Nyström, que tomara o lugar de Daniel Berg em São Paujlo, mandou que o evangelista Vitalino Piro iniciasse um trabalho no bairro do Ipiranga, o mesmo bairro onde D. Pedro I proclamara a independência do Brasil em 1822, trabalho este que se deu mediante cultos ao ar livre que se realizavam nos jardins do Parque da Independência. Logo passaram a se reunir numa casa na rua Arcipreste Ezequias, 7, na vila São José e, em 29 de junho de 1931, foi realizado um batismo no riacho Ipiranga.

- Em 1934, o pastor Buno Sklimovski designa o pastor Alfredo Reikdal para dirigir o trabalho no Ipiranga e, dez anos depois, a igreja se organiza juridicamente, tendo como pastor o próprio Alfredo Reikdal, que faleceu em 2010. Nascia, então, a Assembleia de Deus – Ministério do Ipiranga, que, desde 2010, é presidida pelo pastor Alcides Favaro.

- Em 1924, o evangelho pentecostal chegou ao Rio Grande do Sul, por intermédio do missionário sueco Gustav Nordlund e sua esposa Elisabeth, bem como seu filho Herbert, outro casal de missionários que vieram da Suécia para o Brasil com destino especificado pelo Espírito Santo. No primeiro culto que realizaram ao Senhor em terras gaúchas, havia apenas uma pessoa que, ao término da reunião, entregou-se para Jesus.

- O trabalho no estado do Paraná iniciou-se em 1928, por intermédio do já mencionado pastor Bruno Skolimovski (1884-1961). Bruno, polonês de nascimento, nasceu em 1884, chegando ao Brasil em 1909 em busca de trabalho, casando-se em 1911 com a brasileira Maria Barbosa. O casal se converteria a Jesus em 1919, tendo sido enviado, em 1923, para Fortaleza/CE, a fim de substituir o pastor Antonio Rego. Em 1924, foi para Natal/RN, onde substituiu o pastor Manoel Higino na direção daquela igreja, tendo ido para o Rio de janeiro em 1926 e, depois, para Petrópolis/RJ.

- Em 1928, por revelação divina, foi para Curitiba, capital do Paraná, onde abriu o trabalho pentecostal naquele Estado, entregando a igreja para Clímaco Bueno Aza em 1939, quando, então, foi pastorear a igreja em São Paulo até 1945, quando, então, entregou a igreja do Belenzinho ao pastor Cícero Canuto de Lima (em 19044, como sabemos, havia ocorrido a emancipação da igreja do Ipiranga), passando, então, a pastorear a igreja em Santos/SP até 1953, quando volta a pastorear a igreja em Curitiba/PR, retornando a Santos/SP em 1957, onde pastoreia a igreja até a sua morte, ocorrida em 20 de dezembro de 1961.

- Apesar das incursões de Gunnar Vingren na década de 1920 em Santa Catarina, o evangelho pentecostal só vai chegar de forma organizada e contínua este estado em 1931, por intermédio do irmão André Bernardino da Silva, um catarinense de Itajaí/SC que fora para o Rio de Janeiro para “estudar para padre”.

Entretanto, logo o jovem deixou-se envolver pela boemia carioca e o resultado é que contraiu tuberculose e acabou sendo expulso do seminário católico, passando a ir morar num barco que estava em reparos e que tornara residência para os “sem-teto”.

- Comovido com seu estado de saúde extremamente precário e cada vez pior, um amigo seu foi até a Assembleia de Deus, que tinha a fama de ser uma igreja que “curava” e o jovem moribundo recebeu a visita de Daniel Berg, Gunnar Vingren e do irmão Paulo Leivas Macalão. Oraram pelo jovem, que foi curado imediatamente e o jovem, então, durante sete meses, morou na Assembleia de Deus em São Cristóvão.

- Treinado por Gunnar Vingren, André retornou para Itajaí/SC para pregar o Evangelho e o primeiro culto se realizou em 15 de março de 1931, quando duas pessoas se converteram a Cristo, iniciando-se, assim, a história das Assembléias de Deus em Santa Catarina.

- Voltando ao Nordeste, o evangelho pentecostal se iniciou na Bahia em 1926, pela irmã Joaquina de Souza Carvalho, crente batista que, moradora de Canavieiras, na Bahia, havia, juntamente com seu marido, José Clodoaldo, sofrido terríveis perseguições numa região chamada “Os Correia”, onde, em 1924, o irmão Clodoaldo chegou a ser amarrado em um mourão e ateado fogo para que morresse queimado.

Aos clamores ao Senhor de socorro, um grupo de pessoas que por ali passava livrou o irmão que, desgostoso, mudou-se com a esposa para Belém do Pará, onde, ao ouvirem a mensagem pentecostal, aceitaram a doutrina do Espírito Santo.

- Em 1926, a irmã Joaquina, que fora batizada com o Espírito Santo, dirigida pelo Espírito Santo, retornou para Canavieiras, aproveitando que o missionário Otto Nelson empreenderia uma viagem para lá e, assim, chegou à Bahia a mensagem pentecostal.

O resultado deste pregação, que se espalhou pelo município de Belmonte, foi que 20 crentes já eram batizados com o Espírito Santo e Otto Nelson enviou para lá o pastor João Pedro da Silva. Começavam, assim, as Assembléias de Deus em território baiano.

- Em 1914, na cidade piauiense de Piripiri, o irmão João Canuto de Melo foi o primeiro a levar o evangelho pentecostal para o Piauí, quando, ao ter adquirido uma Bíblia em Coivaras/PI, passou a pregar o Evangelho, mas seria somente em 1927, quando o irmão Raimundo Prudente de Almeida visitou a cidade e começou a pregar o Evangelho que o trabalho se sedimentou, que só foi se organizar em 1933, quando Alfredo Carneiro, militar do Exército, sentindo a chamada divina, abandonou a carreira militar e passou a evangelizar no Estado, onde, desde 1932, os crentes pediam um pastor para a igreja em São Luís/MA.

- O trabalho em Sergipe se iniciou em 1927, por intermédio do Sargento Ormínio, membro do Exército que, tendo sido transferido de Belém para Aracaju, levou também, além de sua condição de dedicado soldado, a mensagem pentecostal. Ali pregou o Evangelho e houve muitas conversões e, como não era ministro, não podendo batizar nas águas, comunicou o fato à igreja de Maceió que para lá mandou o pastor João Pedro da Silva que, em 1928, batizou os primeiros novos convertidos. A igreja só seria, porém, organizada em 18 de fevereiro de 1932, depois uma importante visita do missionário Otto Nelson.

- Na região Norte, resta-nos apenas relatar o início do trabalho no então Território e hoje Estado do Acre (estado natal da ex-senadora e primeira assembleiana a se candidatar à Presidência da República, Marina Silva), que teve início através do irmão Manoel Pirabas, em 1932. Vindo de Rondônia, Manoel se instalou no Acre e ali iniciou a pregação do evangelho pentecostal. A igreja somente se organizaria em 24 de janeiro de 1944, quando foi dada a personalidade jurídica pelo pastor Francisco Vaz Neto.

- A última região que nos falta mencionar é a região Centro-Oeste, que, nos primórdios das Assembleias de Deus, era formada por Goiás e Mato Grosso, sendo que, atualmente, ambos os estados encontram-se divididos em dois cada um (Goiás e Tocantins, que faz parte da região Norte e Mato Grosso e Mato Grosso do Sul), além do Distrito Federal, que surgiu em 1960 com a fundação de Brasília.

- O trabalho em Goiás começou em 1936, quando vieram morar no estado alguns crentes que vinham da igreja Assembleia de Deus do bairro de Madureira, no Rio de Janeiro/RJ, igreja pastoreada por Paulo Leivas Macalão (1903-1982), que, um dos primeiros crentes que havia se convertido no Rio de Janeiro, após a vinda de Gunnar Vingren, fora consagrado ao ministério em 1930, pouco antes da partida do missionário de volta para a Suécia em 1932.

- Macalão, que começara a evangelizar o bairro de Madureira ainda na década de 1920 e passou a evangelizar os subúrbios da Estrada de Ferro Central do Brasil, que ligava o Rio de Janeiro a São Paulo, fez o trabalho prosperar, tanto que já estava num salão maior em 1929 e acabou por dar personalidade jurídica à congregação que dirigia no bairro de Madureira, o que ocorreu em 21 de outubro de 1941, gerando, assim, a igreja que seria o início do Ministério de Madureira que, desde 1958, organizou-se em convenção própria, vinculada à CGADB. Em 1988, porém, em virtude de conflitos com a expansão do ministério de Madureira para o Norte e o Nordeste, como não houve aceitação da proposta da CGADB de que a convenção e Madureira deveria se diluir, houve o rompimento entre a CGADB e a CONAMAD (Convenção Nacional das Assembléias de Deus

– Ministério de Madureira), a primeira grande ruptura das Assembléias de Deus no Brasil. A CONAMAD é presidida atualmente pelo “bispo” Manoel Ferreira.

- Pois bem, alguns crentes de Madureira foram para Goiás em 1936, dando início ali ao trabalho pentecostal. Eram crentes que tinham ido para Goiânia, onde havia grandes oportunidades de trabalho, notadamente na construção civil.

Diante do início da pregação destes irmãos que, assim como em outros lugares, não só vieram trazer seus conhecimentos profissionais mas também a mensagem pentecostal, pediram ao pastor Paulo Leivas Macalão que lhes indicasse um líder, tendo, então, sido designado o irmão Antonio Moreira.

- Este trabalho em Goiás foi, posteriormente, o responsável pelo início do trabalho na nova Capital da República.

Em 1956, quando se iniciou a construção de Brasília, a mensagem pentecostal já começou a ser pregada por pastores do Ministério de Madureira em Goiás que, em 19 de novembro de 1956, fundaram a Assembleia de Deus Ministério de Madureira na Cidade Livre (hoje o Núcleo Bandeirante), sob a presidência do pastor Paulo Leivas Macalão e, assim, o evangelho chegou à Brasília.

- Em 1957, chegaram à Brasília, para trabalhar na construção da nova capital, alguns irmãos de São Paulo os irmãos Virgílio José dos Santos, Carlos Messias, Alfredo da Silva e João Carolino dos Santos, bem como o irmão Salomão Castro de Sousa, que começaram a pregar o evangelho no acampamento da construtora onde trabalhavam no Granja do Torto (hoje uma das residências da Presidência da República).

Nesse mesmo ano, compraram um salão onde começaram a realizar cultos e que foi o início da igreja vinculada à missão (ou seja, que não era de Madureira) que foi organizada em maio de 1959, quando o pastor Túlio Barros, do Rio de Janeiro/RJ, mandou para lá o evangelista João Ferreira.

- De igual forma, foi este trabalho de Goiás o responsável pelo início da evangelização no norte do Estado, hoje Estado de Tocantins.

O trabalho se iniciou na cidade de Gurupi/TO, em 1956, quando, sabendo do início da povoação do lugar, o pastor Lázaro Manoel de Oliveira Souza, da Assembleia de Deus de Ceres/GO, mandou para lá o diácono Euclides Mello de Albuquerque e sua família, que, lá chegando, realizaram o primeiro culto pentecostal naquela cidade, então um simples povoado, em 6 de fevereiro de 1956.

- No Mato Grosso, o evangelho pentecostal penetrou através das fronteiras com o estado do Amazonas. A primeira notícia de trabalhos no estado se deu em 1924 quando Elói Bispo de Sena visitou, pela segunda vez, a localidade de Generoso Ponce, onde se estabeleceu a primeira Assembleia de Deus. Em 1923, quando ali esteve Elói Bispo pela primeira vez, já se encontraram alguns crentes pentecostais. Em Cuiabá, o trabalho começou apenas em 1943, embora lá já morassem os crentes Rodrigues Alves e sua esposa que, sendo presbiterianos e tendo crido no batismo com o Espírito Santo, mantiveram-se pentecostais e filiados à igreja de Ribeirão Preto/SP, embora estivessem isolados na capital mato-grossense. Rodrigues seria batizado nas águas em abril de 1943 pelo pastor J.H. Tostes e, em 7 de maio de 1944, organizou-se juridicamente a igreja.

- Em Mato Grosso do Sul, a evangelização começou por crentes de Cuiabá que se mudaram para Campo Grande e a igreja foi organizada apenas alguns meses depois da capital do Estado (Mato Grosso era um só Estado então), o que se deu em 22 de outubro de 1944.

- Assim iniciaram as Assembléias de Deus em nosso país. Atualmente, estima-se que 27 milhões de brasileiros pertençam às Assembléias de Deus, em seus diferentes ministérios e convenções. Um trabalho feito, basicamente, de evangelização pessoal e de uma vida de amor pelas almas perdidas de pessoas anônimas que não cessaram de orar, buscar a Deus e de meditar nas Escrituras Sagradas.

- Apesar de ainda hoje ser a maior denominação pentecostal do Brasil, é visível a perda de ritmo de crescimento das Assembléias de Deus um século depois de sua organização no país.

Por que isto? Exatamente porque os crentes assembleianos já não mais evangelizam como fizeram os seus pais na fé, nem tampouco buscam a oração, o batismo com o Espírito Santo, os dons espirituais nem tampouco a cura divina.

A perda da vitalidade espiritual traduz esta perda de ritmo, mas ainda é tempo de acordarmos e voltarmos aos primórdios.

Depende de cada um de nós. Que história estamos a construir neste segundo século das Assembléias de Deus no Brasil?

IV – ALGUMAS LIÇÕES QUE NOS DEIXARAM A HISTÓRIA DOS PRIMÓRDIOS DA EVANGELIZAÇÃO PENTECOSTAL DO BRASIL

- Depois de vermos, ainda que sucintamente, o início do trabalho das Assembléias de Deus em cada unidade da Federação, resta-nos, tão somente, para encerrarmos esta histórica lição, tentarmos aprender algumas lições, pois a história tem, entre seus objetivos, o de nos fazer aprender com o passado para que não só entendamos o presente, mas procuremos construir um futuro isento dos mesmos erros de ontem e com os acertos que lá se fizeram.

- Ao contemplarmos a história das Assembléias de Deus no Brasil, verificamos, de pronto, que o seu crescimento muito se assemelha ao que lemos no livro de Atos dos Apóstolos, a nos indicar, assim, que o único modelo real de crescimento da obra de Deus é o que se encontra prescrito na Bíblia Sagrada, única regra de fé e prática.

Jesus Cristo, amém!